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Vitória do povo de Jericoacoara contra implantação de parque eólico

  • Foto do escritor: tartarugasdejeri
    tartarugasdejeri
  • 4 de dez. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 7 de ago. de 2023

Em 2012, a comunidade de Jericoacoara se posicionou contra o projeto de uma multinacional para implementar quatro parques eólicos nos arredores da vila. Os empreendimentos seriam construídos no entorno do Parque Nacional de Jericoacoara e da APA (Área de Preservação Ambiental) da Lagoa de Jijoca. O investimento que estava previsto para a construção dos parques era de R$370,4 milhões.


Nos limites do Parque Nacional e da APA estão inseridas 18 comunidades, e essa população sobrevive da exploração dos recursos naturais, através de aquicultura e agricultura, e do ecoturismo.

A preocupação geral da comunidade era que os turistas que procuram descanso na

natureza se incomodassem com a poluição visual gerada pela usina, e que em

consequência disso a economia da região fosse afetada.



Impactos negativos relacionados com a operação de usinas eólicas.

Montagem feita pela Baía das Tartarugas - as crianças de Jeri são maiores que as hélices do parque eólico.


Embora seja considerada uma energia limpa e renovável, a operação dessas usinas causa alguns impactos ambientais e sociais relevantes, como impactos sobre a fauna (pássaros que migram a noite e em baixa altitude correm riscos de colidirem com as pás e com as outras estruturas relacionadas à usina), desvalorização das propriedades (estudos apontam que as propriedades em torno dos parques eólicos perdem cerca de 15% de seu valor) e poluição sonora e visual (ruídos e vibrações advindos das usinas podem ser bastante incômodos; além disso, a poluição visual prejudica a paisagem onde estão inseridas).



Área de Proteção Ambiental da Lagoa de Jijoca.


A lagoa de Jijoca limita com o parque nacional de Jericoacoara, é uma área de

preservação ambiental que abrange 3.995,61 hectares e localiza-se entre

os Municípios de Cruz e Jijoca. Essa área se tornou pólo turístico, trazendo grandes benefícios econômicos para a região. Os munícipes de Jijoca não eram contra a instalação das usinas eólicas, tendo ciência da importância dessa fonte de energia. Eles somente queriam preservar a beleza natural da região.



Decisão favorável à população.


Para impedir a implementação dos parques eólicos, o Conselho Comunitário de

Jericoacoara, em conjunto com o ICMBIO (Instituto Chico Mendes de Conservação da

Biodiversidade), realizou manifestos e criou petições. Após diversas reuniões e muitos debates, prevaleceu a decisão dos representantes locais de que a construção dos parques eólicos não era interessante para a região pois traria mais prejuízos do que benefícios. Assim, através da união e da organização, foi possível defender os interesses da comunidade, e o projeto não teve continuidade.


texto de autoria de Renata Cidrack.


Renata é arquiteta e urbanista, fotógrafa, designer, tradutora e pesquisadora, um ser apaixonado pela natureza e pela cultura e conectado pelo coração à vila de Jericoacoara. Trabalha realizando pesquisas, fazendo entrevistas e produzindo conteúdo para a Baía das Tartarugas.



 
 
 

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