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Valor arqueológico de Jericoacoara

  • Foto do escritor: tartarugasdejeri
    tartarugasdejeri
  • 26 de dez. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 7 de ago. de 2023

No início de 2017, uma pesquisa conduzida pelo ICMBio, pesquisadores de várias universidades brasileiras e professores de escolas indígenas Tremembé de Almofala encontrou evidências de que Jericoacoara já estava ocupada 1200 anos antes do presente, ou seja, 800 anos antes da colonização europeia.


Outra pesquisa desse tipo, em que se fazem coletas sistemáticas de materiais dispersos em superfície e escavações no solo, aconteceu no local em 2010, e outras pesquisas do tipo também já haviam acontecido em anos anteriores. Entre os materiais que foram encontrados ao longo das pesquisas, nos sítios Serrote e Malhada, estavam fragmentos de vasilhas cerâmicas de paredes finas (em alguns casos com decoração incisa bastante elaborada), artefatos de pedra lascada e polida e fragmentos de moluscos (que indicam tanto elementos da dieta desses povos quanto materiais de adorno e instrumentos). Além disso, coletou-se amostras de solo e fragmentos de carvão, que registram as numerosas fogueiras usadas para diferentes fins, como cozinhar alimentos, fabricar vasilhas cerâmicas e se aquecer.


Um dos objetivos da pesquisa (que segue em curso) é entender como se deu a ocupação do território, se foi por um só grupo ou por vários, se esse grupo era ou não sedentário, como era sua dieta, como era o ambiente, quais as especificidades da tecnologia de fabrico de seus artefatos.


O material encontrado indica ocupações passageiras ou uma ocupação de permanência prolongada de um só grupo, uma vez que se trata de um conjunto artefatual único. No Rio Grande do Norte, sítios onde se encontrou um conjunto artefatual similar foram vinculados a acampamentos pré-tupi. No Piauí, vestígios arqueológicos análogos aos encontrados em Jeri foram associados a grupos Tremembés.



Mais evidências apontam para a origem Tremembé em Jericoacoara: evocando uma visão interdisciplinar para o estudo da questão, nos valemos de fontes históricas como os relatos de Yves d’Évreux, capuchinho francês que esteve com os Tupinambás da Ilha do Maranhão entre 1613 e 1614 e narrou as disputas entre Tupinambá e Tremembé nas proximidades de Camocim e Jericoacoara. Yves descrevia os indígenas dessa região como exímios pescadores que iam algumas vezes à caça e não tinham hortas, tinham abrigos muito simples e muitas vezes dormiam nas areias, ao ar livre. Relatos de outros colonizadores ressaltam a riqueza do lugar e a fartura de peixes que se encontrava no mar. Também, um mapa português de 1629 (imagem acima) representava uma aldeia nas proximidades da baía de Jericoacoara.


Ao longo do litoral cearense, existem mais de 30 sítios arqueológicos de antigas populações pré-históricas ou históricas que aqui habitaram ou transitaram. Entre os munícipios registrados no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos estão Jijoca de Jericoacoara, Camocim, Itapipoca, Trairi, Paraibaba, Amontada, Aquiraz, Icapuí, Aracati, Fortaleza. Sítios esses que são de diversas naturezas e cronologias, comprovando uma longa e heterogênea ocupação do litoral cearense.



Fontes:


VIANA et al. Os Antigos Habitantes da Praia de Jericoacoara, Ceará: Arqueologia, História e Ambiente. Revista Clio Arqueológica. Recife, n.22, p. 177-202, 2007.


PESQUISA mostra valor arqueológico de Jericoacoara. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, 17 mai. 2017. Disponível em: https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/noticias/ultimas-noticias/pesquisa-realca-valor-arqueologico-de-jericoacoara Acesso em: 24 nov. 2022.


texto de autoria de Renata Cidrack.


Renata é arquiteta e urbanista, fotógrafa, designer, tradutora e pesquisadora, um ser apaixonado pela natureza e pela cultura e conectado pelo coração à vila de Jericoacoara. Trabalha realizando pesquisas, fazendo entrevistas e produzindo conteúdo para a Baía das Tartarugas.



 
 
 

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