O que Jericoacoara tem a ver com a chegada dos colonizadores no Brasil?
- tartarugasdejeri

- 19 de ago. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 7 de ago. de 2023

Eduardo Bueno, em 1998, no livro “Náufragos, traficantes e degredados”, conta que em janeiro de 1500, três meses antes de Cabral (que é conhecido oficialmente como o “descobridor do Brasil”), o navegador espanhol Vicente Pinzón aportou nas águas de Jericoacoara. Porém, este registro não pôde ser oficializado em virtude do Tratado de Tordesilhas, que entrou em vigor naquele mesmo ano.
Pinzón foi um dos capitães das caravelas de Cristovão Colombo nas primeiras expedições em busca da América, em 1492. Com o dinheiro que ele recebeu de Colombo por ter participado dessas expedições, Pinzón realizou, em 1499, sua própria viagem, com 4 caravelas e uma tripulação de 160 homens. No dia 26 de janeiro de 1500, Pinzón aportou no que hoje conhecemos como Porto do Mucuripe, em Fortaleza.
Depois, ele partiu em direção a oeste pela costa, parando às margens do Rio Curu, à época nomeado por eles de “Rio Hermoso”. Lá, após uma tentativa de escravizar os povos Potiguar, eles foram ferozmente atacados, e navegaram por um dia e uma noite pela linha da costa na direção noroeste quando avistaram um curioso acidente geográfico: uma ponta arenosa, muito formosa e bem feita que se assemelhava a "um vermelho bico de cisne mergulhando no oceano". Resolveram chama-lo de "Rosto Hermoso" (ou "Face Linda"). Naquele lugar, Pinzón mandou fincar uma cruz com os brasões da Coroa de Castela e seguiu em frente. Também consta nos documentos históricos descrições de uma grande pedra furada nessa localidade, o que nos faz acreditar que tratava-se de Jericoacoara.
A maior prova dessa viagem é o mapa do cartógrafo Juan De La Cosa, feito com as anotações de Pinzón, no qual parte do nordeste brasileiro está mapeado.
Bom, é essa a história. Alguém se surpreenderia que essa terra misteriosa provavelmente tenha sido um dos primeiros lugares na costa do Brasil onde um homem branco pisou?
Nós te propomos alguns exercícios reflexivos.
Todo fato histórico é uma versão, contada por alguém, na qual se narra a realidade a partir de um ponto de vista que vê uma parte do real e esconde, esquece, modifica outra parte desse mesmo real. Na grande maioria das vezes, uma narrativa sustenta a defesa de um interesse.
Você já parou pra pensar sobre isso?
Bem que essa história pode não estar ao alcance de todos em decorrência de ter pouca relevância histórica, mas o fato é que a história é sempre maior... não há memória sem esquecimento.
texto de autoria de Renata Cidrack.

Renata é arquiteta e urbanista, fotógrafa, designer, tradutora e pesquisadora, um ser apaixonado pela natureza e pela cultura e conectado pelo coração à vila de Jericoacoara. Trabalha realizando pesquisas, fazendo entrevistas e produzindo conteúdo para a Baía das Tartarugas.





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